A nova liberdade comercial do hotel: como transformá-la em maior rentabilidade para o canal direto
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23 de outubro de 2026

A conversa sobre distribuição hoteleira tem-se centrado tradicionalmente na paridade. Grande parte dos esforços dos hotéis concentrava-se em monitorizar os preços, corrigir disparidades e garantir que o canal direto pudesse competir em igualdade de condições com os outros canais.
No entanto, o panorama está a mudar. As recentes alterações regulamentares na Europa, na sequência da DMA (Digital Markets Act) ou Lei dos Mercados Digitais, dão aos hotéis mais liberdade para definirem a sua estratégia comercial e diferenciarem as condições que oferecem no seu canal direto.
A verdadeira oportunidade não está em competir em termos de preço. Está em recuperar a capacidade de decidir como competir, que valor oferecer e como construir uma rentabilidade mais sustentável.
Mais liberdade não significa uma guerra de preços
Quando falamos de liberdade comercial, é fácil pensar logo em descontos. No entanto, o verdadeiro alcance desta mudança vai muito além do preço.
As OTAs continuam a ser atores fundamentais na captação de procura, com programas de fidelização, ferramentas promocionais e uma enorme capacidade de investimento em marketing. A concorrência não desaparece, mas o hotel ganha margem para criar uma proposta própria e diferenciada.
A pergunta já não é:
- Como é que faço para que o meu site não fique mais caro?
E passa a ser:
- Como é que faço para que o meu site seja a melhor opção para fazer reservas?
Essa mudança de mentalidade transforma tudo.
"A oportunidade não está em ganhar uma guerra de preços, mas sim em deixar de competir apenas com base no preço."
A verdadeira oportunidade: recuperar a capacidade de decisão
A principal consequência desta nova fase não é a possibilidade de baixar os preços, mas sim a de decidir como competir e que valor oferecer.
O canal direto tem sido utilizado em muitos casos como uma ferramenta defensiva. A sua função era proteger a paridade, conter os custos de distribuição ou igualar as condições disponíveis noutros canais.
Agora há a oportunidade de transformar isso em algo muito mais estratégico. Porque quando um hotel tem mais liberdade comercial, pode decidir:
- Que valor queres oferecer?
- Como queres interagir com os teus hóspedes.
- Que vantagens tem reservadas para os seus clientes diretos?
- Como é que queres diferenciar a tua marca em relação a outros intermediários?
Por outras palavras, o canal direto deixa de ser um espelho da distribuição e passa a ser uma ferramenta de posicionamento.
Da gestão do preço à gestão da rentabilidade
Grande parte dos debates sobre distribuição hoteleira continua a centrar-se numa única variável: o ADR. Mas duas reservas com o mesmo valor nem sempre geram o mesmo valor para o hotel.
Uma reserva direta não representa apenas receitas. Também pode gerar:
- Uma relação direta com o hóspede.
- Dados úteis em primeira mão.
- Mais opções de personalização.
- Maior probabilidade de repetição.
- Custos de distribuição mais baixos.
Por isso, a conversa devia passar da gestão das receitas para a gestão do valor total que cada reserva traz para o negócio.
Para além da receita gerada, o que importa mesmo é o valor que cada cliente traz para o negócio. E é aí que o canal direto faz a diferença.
É hora de recompensar o hóspede direto
A nova liberdade comercial abre uma oportunidade especialmente interessante: criar vantagens exclusivas para quem faz reservas diretamente.
Não estamos necessariamente a falar de descontos agressivos. Estamos a falar de oferecer algo que o hóspede considere valioso.
Por exemplo:
- Tarifas exclusivas para membros.
- Check-out tardio.
- Vendas adicionais.
- Seguro de viagem incluído na reserva.
- Benefícios durante a estadia.
- Créditos para gastar no hotel.
- Acessórios
- Condições de reserva mais flexíveis sem penalizar o pré-pagamento (crédito de viagem)
A chave é simples: quando o hóspede percebe uma vantagem clara ao reservar diretamente, a decisão deixa de depender apenas do preço
De vender quartos a construir relações
Talvez a mudança mais importante não seja comercial, mas sim conceptual.
Os hotéis mais avançados já não encaram o canal direto como um simples canal de vendas, tendo-o transformado num ativo estratégico.
Cada reserva direta permite conhecer melhor o hóspede, personalizar comunicações futuras, fidelizar o cliente e construir uma relação que vai muito além de uma estadia específica.
Por isso, o verdadeiro valor do canal direto não está apenas em vender quartos sem comissão. Está em criar uma base de clientes própria, sobre a qual se possa construir o crescimento futuro.
Conclusão
As recentes alterações regulamentares não eliminam a concorrência entre hotéis e OTAs, mas dão aos hotéis mais liberdade para decidirem como querem competir.
A oportunidade não está em ser mais barato, mas sim em aproveitar essa liberdade para criar uma proposta de valor mais atrativa para o hóspede e mais rentável para o negócio.
Porque, no fim de contas, o verdadeiro potencial do canal direto não está só em vender um quarto. Está em construir uma relação direta com o hóspede, gerar mais valor em cada reserva e criar uma vantagem competitiva que nenhum intermediário consegue replicar na totalidade.
Queres tornar o teu canal direto a melhor opção para os teus hóspedes, sem dependeres apenas do preço? Vamos falar sobre como podemos ajudar-te a criar uma estratégia mais rentável, sustentável e diferenciada.
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